domingo, 14 de agosto de 2011

Sem nome e sem fim

Volta e meia eu jogo com a verdade
Finjo que acredito
E você finge que a diz
Assim é melhor

Sabe o que mais?
Tua versão daquilo que eu quero ouvir
É tão menos interessante que a verdade...

Mas você não quer saber da verdade
Você não aguentaria a verdade
E nem eu

Que o dinheiro que eu te dei não vai voltar
Que o amor que eu te dei paira no ar
E eu vou pensar em você todos os dias
Até encontrar alguém que minta melhor

Esse não é um poema de amarguras
A mentira é honesta, seja isso um paradoxo
Mal sabe ele que mente
Mal sabe ele que o meu coração ainda lembra o dele

Mas eu lembro ainda
Quando você me olhava como se eu fosse
A coisa mais rara que suas mãos já haviam segurado
E eu me sentia como se fosse

Esse tempo acabou
Agora as mãos se esquentam
Os dedos se cruzam
E eu olho pro céu

As nuvens não tem mudado sua posição
E as estrelas não tem estado lá há algum tempo
Então eu te escrevo esse poema
E deixo meu coração te entregar

Sentindo bem forte
Cerrando os dentes
Os olhos
Os sonhos.

Não deixo o fim desejável
Peço perdão se você o lê
Pela qualidade questionável
Pelas estrofes destoantes

Mas eu me recuso a chegar ao fim
A te deixar ir
Porque eu sei que você vai levar contigo
Um bom pedaço de mim
E eu sinto o vazio desse pedaço
Que ficou no meu peito...

Ricardo Coleoni

sábado, 6 de agosto de 2011

"O mal-estar de nosso tempo é a inadequação, o sentimento opressivo de que as outras pessoas estão fazendo as coisas certas, lendo os livros que contam e usando os computadores e programas mais modernos enquanto nós estamos ficando para trás na carreira ou nos relacionamentos."
(Wayne Luke)

segunda-feira, 25 de julho de 2011

Vontades

Enlameio meu pouco de vida
Porque às vezes há fases
Acorda a desesperança, a insegurança
E dorme a luz e a calmaria

Navego no mar desconhecido da dúvida
Tomando por farol meu medo
E em silêncio
Com mil coisas na cabeça e uma bola no peito
Navego em segredo
Temendo acordar em mim, aquilo que não conheço

Lembro o amor, a cor das flores
E o cheiro de cravo a emanar do hálito
De um tempo em que tudo era simples
A vida corria e brincava sozinha na varanda
Nem lágrimas nem chuva tocavam a minha cama

Agora o vento corre, derradeiro
Sopra forte e abafa o som do meu peito
Esse chiado agudo que por vezes esconde-se
Mas jamais cessa

Não é só medo do futuro ou do destino
Não são os anjos que deitam na minha sombra
É esse eterno sonho, essa vontade imensa
De entender a vida e o amor. Todas as coisas.

Ricardo Coleoni

Consciência

Eu estava aqui e agora eu fui embora....
Eu fui embora.

domingo, 5 de junho de 2011

Dica

"Quando repentinamente você sentir algo muito bom... Daquelas sensações arrebatadoras que a gente se pergunta quando é que irão voltar, ouça uma música... Sinta o que sente, ouvindo aquilo que adora e quem sabe, toda vez que ouvi-la você possa sentir novamente. Quem sabe você possa marcar a musica com seu coração."

sexta-feira, 1 de abril de 2011

Um balão

Um balão. É uma sensação estranha quando o ar sopra da sua boca mundo a fora, te deixando vazio. A sensação que tenho é de que o mundo todo não passa de um palhaço, enchendo balões. É a maneira como ele aperta com cuidado o pequeno objeto. Cuidadoso, porém firme. Algo como quem sutilmente convence a outro a se deixar ir e repentinamente o faz tão grande como jamais seria de se esperar de algo tão pequeno. Quem sabe não o encha de contos, histórias, sonhos... É como o trabalho, a educação, a família e o amor. Criam expectativas tão grandes, trazendo consigo obrigações tão grandes quanto, e a cada tombo que você leva na tentativa de seguir tal caminho, você infla a si mesmo e pensa 'Grandes pessoas fazem grandes coisas'! Bem... Quem foi que algum dia me pediu se eu queria ser grande? Talvez seja contra o próprio espírito então, que se cresça, e assustadoramente, como um balão em um palhaço, fica-se tão grande e tão cheio que a pressão te solta e lentamente te puxa para baixo. Infelizmente, por menor que se fique após isso, torna-se impossível voltar ao tamanho real. E de repente, suas expectativas são grandes demais pra alguém tão pequeno.

Ricardo Coleoni