sexta-feira, 9 de julho de 2010

Pânico

Pontas dos dedos e do nariz
Mera menção, irreal
Na profundidade do frio
Na intensidade do ar

Passantes nas ruas, cores e olhares
Impossíveis de acompanhar
Tão rápido são seus passos
Que mal sabem onde vão

Vejo o rosto, que também me vê
O frio sobe a espinha
Pés que já andam, independentes
Correm rápidos como a batida do meu coração

O caminho torna-se incerto
Os rostos tornam-se riscos
Os músculos pulam, ao atrito de outros
Fecha os olhos! Deus, faz passar!

E não passa
E eles passam

A saliva prende à garganta
O estomago dá-se um nó
E os passos se pegam confusos
Incertos até de um e outro

Passa a mão na cabeça
Cerra os olhos
Finge que nada é real
Finge que dorme

Se pega olhando pro fundo
No tenro abismo do mundo
Onde a calma se faz verdade
Cortando do medo os pulsos


Ricardo Coleoni

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